segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

  ATIVIDADES ECONÔMICAS
 


As atividades econômicas que formam a estrutura produtiva do município de Brumado estão agrupadas no setor primário, secundário e terciário. De acordo com o censo empresarial do SEBRAE, verifica-se que as 998 empresas cadastradas em Brumado estão distribuídas nas seguintes atividades produtivas:
 DISTRIBUIÇÃO  DAS EMPRESAS EM BRUMADO


FONTE: SEBRAE/BA - Pesquisa Direta (Junho/1996)

Com base no gráfico observa-se um numero maior de empresas no setor terciário que compreende as atividades de comércio (42,5%) e de serviços (49,1%), que somadas eqüivale a 91,6% das empresas cadastradas, constituindo-se destacado segmento no que concerne à oferta de empregos e absorção de mão-de-obra, sendo considerado um setor influente na região por exercer o papel de redistribuidor. O setor secundário formado pela indústria (8,3%), destaca-se a atividade de mineração executada pela empresa Magnesita S/A, que corresponde a 97% da produção de magnesita bruta do Brasil, servindo ao mercado interno e externo. O setor primário representa um pequeno percentual no que se refere à atividade agropecuária, necessitando investimentos com o incremento de novas tecnologias produtivas.

Setor Primário
No município de Brumado a estrutura agrária tem como principal característica o predomínio de pequenas propriedades.
As propriedades no intervalo de 10ha a menos de 100ha correspondem 46,2% do total de imóveis, o que eqüivale a 41,3% da área total.
As propriedades que figuram entre 100 e 1.000 hectares representam 6,5% dos imóveis e correspondem a 45,4% da área total.
A situação dos pequenos proprietários é agravada pelo fato do município se localizar na região semi-árida, com um alto índice de ocorrência de seca e de possuir insuficiente infra-estrutura de captação, armazenamento e distribuição d’água.
As culturas do algodão e da mandioca, culturas de destaque no município, foram duramente afetadas em sua produtividade, devido a já citada escassez de chuvas, juntamente com outros fatores como a dificuldade de obtenção de crédito e o ataque de pragas.

O algodão que se constituiu em uma das mais importantes fontes de renda para o município, teve o seu período mais promissor compreendido entre meados e final de 1980. O período foi marcado por uma grande prosperidade econômica, que os agricultores locais nunca haviam experimentado anteriormente. A renda da cultura do algodão movimentava grande parte da economia do município, gerava empregos e incrementava o comércio.
Com a decadência da cultura algodoeira no município em meados dos anos de 1990, algumas usinas de descaroçamento e beneficiamento foram fechadas, outras se mudaram para cidades como Luís Eduardo Magalhães e Barreiras. 
Como forma de sanar estes prejuízos os cotonicultores buscaram outras alternativas, alguns se voltaram para a plantação de outras culturas ou a criação de animais, outros buscaram fontes de renda no mercado informal ou migraram para  outras regiões.
Na década de 2000, o quadro de abandono da cultura do algodão no município começa a mudar com a implantação do Programa de revitalização da cultura algodoeira do governo do Estado, através da capacitação dos produtores, a introdução de variedades precoces mais resistentes a praga do bicudo e a disponibilidade de linhas de crédito. Verificou-se que atualmente está havendo um novo aumento na produção do algodão, cotonicultores que haviam abandonado a cultura se mostraram dispostos a retomá-la no ano de 2005 e os agricultores que ainda se dedicavam a malvácea estão aumentando a área de cultivo e consequentemente a sua produtividade.

Setor  Secundário

A empresa Magnesita S.A. está localizada a 8 Km da cidade de Brumado, na Vila Industrial de Catiboaba ao pé da Serra das Éguas.  Possui um área industrial construída de 37.000 m2.

A produção das minas iniciou-se em 1945, em plena II Guerra Mundial. A partir daí, a Magnesita S.A. vem mantendo estudos permanentes de geologia e pesquisa na Serra das Éguas. A extração de magnesita, talco e calcário dolomítico, compreende a quase totalidade do produto mineiro do município, fazendo de Brumado um dos maiores arrecadadores de I.U.M. (Imposto Único sobre Minerais) do Estado da Bahia.
Mais de 97% da produção brasileira de magnesita bruta é proveniente da Serra das Éguas no município de Brumado.
No mercado interno a maior demanda de magnesita calcinada verifica-se na indústria de refratários, para abastecimento do parque industrial siderúrgico e cimenteiro. Os produtos refratários são exportados para Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Paraguai, Colômbia, E.U.A, México, Polônia, França, Espanha, Alemanha, etc. O talco é utilizado por muitas empresas brasileiras na produção de plásticos, perfumaria, arroz, balas, papel, celulose, pisos, borracha etc. O talco também é usado por empresas multinacionais como, a Johnson & Johnson e AVON (cosméticos), Pirelli (pneus), Rhodia (produtos químicos) entre outros. Já a magnesita cáustica é utilizada na fabricação de fertilizantes, abrasivos, rações etc.
A capacidade instalada na Magnesita S.A. é de 330.000 toneladas/ano de sinter e 30.000 toneladas/ano de talco.
Com a intensa exploração mineral em Brumado foram atraídas outras indústrias mineradoras, como a IBAR Nordeste do grupo Votorantin  e a Xilolite S.A. A IBAR Nordeste foi implantada em 1973 e sua principal atividade é a extração e beneficiamento de magnesita. A empresa possui em seu quadro, 104 empregados efetivos e 20 de empreiteira.  
A Xilolite foi implantada no ano de 1969, e é uma das maiores produtoras de talco do Brasil. Além do talco a indústria explora a dolomita, minério usado na agricultura como corretivo do solo. Possui 210 empregados efetivos diretos e 6 terceirizados. 


Na década de 90 o crescimento de Brumado foi intensificado também pelo desenvolvimento de outras indústrias. A Indústria Lafarge - Cimento Montes Claros (atual Cimento Bonfim do grupo português – CIMPOR), implantada em 1993, passa a fabricar o cimento nesta unidade, favorecido pela abundância da matéria-prima denominada de escoria, que é fornecida pela Magnesita S.A., e por dispor do transporte ferroviário, que muito tem facilitado o transporte de matéria-prima local e de sua filial em Minas Gerais, com baixos custos, o que tem contribuído para que o produto final possa competir no mercado  com os de outras empresas concorrentes, transformando Brumado em um centro de distribuição para várias regiões da Bahia como o Oeste, Sudoeste, Sul e Sertão.

 
SETOR TERCIÁRIO
Na formação da estrutura produtiva o setor terciário reúne importantes atividades econômicas (comerciais e de prestação de serviços) tornando-se importante setor de desenvolvimento sócio-econômico, permitindo a melhoria das condições de vida e a criação de oportunidades de emprego e renda representando, portanto, desenvolvimento e sustentabilidade das cidades.
A cidade de Brumado desde a sua origem teve sua economia algodoeira dinamizada pelas atividades de comércio e serviços relacionadas ao abastecimento, escoamento da produção e hospedagem, o que permitiu a ampliação dos fluxos e da economia local em decorrência da sua centralidade nas rotas de transporte entre o Sertão e o Litoral.
O município se desenvolveu, atraindo novos empreendimentos e moradores, por revelar-se importante entreposto comercial e entroncamento viário para o Sertão Sanfranciscano, Região Sudoeste, o Sudeste da Chapada Diamantina e o Recôncavo Baiano.
Com o advento da estrada de ferro, a cidade de Brumado é incluída na rota que liga Salvador a Minas Gerais confirmando a sua localização geográfica privilegiada.  A ferrovia exerceu importante influência na estruturação e no desenvolvimento local, permitindo o aumento da facilidade de escoamento da produção, qualificando a cidade como um pólo de fracionamento de mercadorias, vindas de grandes centros produtores nacionais para a distribuição na região conduzindo o desenvolvimento comercial até o final da década de 1960, quando ocorre a substituição do modal ferroviário pelo rodoviário com a construção da BA-262 que liga a BR-116 em direção a Brasília.
É importante destacar que o novo modelo trouxe uma ruptura da dinâmica anterior, devido ao fato do transporte rodoviário ser mais flexível, transportando cargas menores e direto para lugares distantes. Em decorrência disso ocorreu uma redução dos ganhos atacadistas, devido à articulação comercial e do fracionamento de mercadorias. Conseqüentemente, os municípios de sua influência passaram a se articular com Vitória da Conquista e Brasília.
Diante disso, o principal fator constituinte da dinâmica econômica de Brumado foi a sua qualificação como um pólo de fracionamento de mercadorias, advindas de grandes centros produtores nacionais para a distribuição na região. Salienta-se que o entreposto de comércio, a grande feira livre e a articulação logística inter e intra-regional, são os elementos que dão suporte a esta dinâmica, juntamente com a incipiente base produtiva local que se desenvolveu passando a exercer um papel estratégico em relação aos municípios circunvizinhos (Caetité, Livramento de Nossa Senhora, Rio de Contas, Malhada de Pedras entre outros).
Existiam em Brumado 772 unidades locais (Empresas com CNPJ), que ocupavam 1.842 pessoas, nos ramos do comércio, reparação, alojamento e alimentação. Esses estabelecimentos estão assim representados:
  •       Comércio 424 unidades locais, sendo: 12 açougues, 56 confecção e tecidos, 26 farmácias, 37 materiais de construção, 164 mercearias e 20 supermercados.
  •        O Setor Serviço possuía 490 unidades locais, sendo 291 bares, 22 lanchonetes, 39 oficinas para autos e 36 salões de beleza.
A Câmara de Dirigentes Lojista - CDL possuía 350 estabelecimentos associados, sendo 3 bancos, 20 supermercados, 15 farmácias, 5 escolas, 2 funerárias, 6 livrarias, 12 lojas de calçados, 23 lojas de confecções, 5 lojas de cosméticos, 6 lojas de brinquedos, 15 lojas de móveis e eletrodomésticos, 3 lojas de materiais de construção; 37 prestadoras de serviços, sendo 4 óticas, 2 jornais, 6 médico, 10 postos de gasolina, 2 distribuidoras de bebidas, 3 agropecuária, 6 concessionárias (carros e motos) e 1 floricultura.
Conforme relatório SEBRAE (2001), em 1996, das 424 unidades locais cadastradas no setor do Comércio, 13,5% não eram legalizados; 51,6% possuíam a forma jurídica “firma individual”; 34,9% forma jurídica “limitada”. Enquanto que, das 490 unidades cadastradas do setor do Serviço: 61,8% não eram legalizadas, 22,7% firma individual, 11,0% Ltda., 0,2% S/A, 4,3% outros.

A área comercial da cidade de Brumado se estende de forma linear ao longo das vias internas que funcionam como prolongamento das rodovias de acesso a cidade: a BA-262 ligando a Salvador,  a BA-148 ligando a Livramento e a BA- 030 que liga a Caetité.  Dessa forma, facilita a circulação dos meios de transportes intensificando as atividades comerciais com o aumento do número de serviços públicos e privados, ampliando também os serviços alternativos do tipo utilitários para o transporte de passageiros, como moto-táxis, vans e outros veículos que servem a população em serviços essenciais como a entrega de gás, água mineral, e outros.


Até a década de 1930 a cidade era formada basicamente pelas ruas do centro, que são a praça Cap. Francisco de Souza Meira, a Praça Armindo Azevedo, A rua Exupério Pinheiro Canguçu ,  Teodoro Sampaio e Marcolino Moura, Tibério Meira e algumas ruas no Bairro do São Felix na margem do Rio do Antônio.
Surge então a zona periférica do centro, formada pelas ruas Dr. Antônio Pinheiro Canguçu e a Praça Lauro Farane, onde começa a se desenvolver o comércio atacadista, os armazéns de empresas compradoras de mamona e algodão, a ferrovia constrói os seus galpões, terrenos abandonados são transformados em estacionamentos e pastos para os animais dos tropeiros. Surgem às construções de baixa renda, as pensões e pequenos hotéis onde as pessoas que vão embarcar nos trens de passageiros, ou negociar nas imediações da estação, se hospedam.
Com o advento da ferrovia e da mineração na década de 1940, a aparência da cidade começou a se transformar, porem a ampliação deste núcleo inicial foi pequena. Nas décadas de 1950 e 1960 é que a cidade iniciou o seu ciclo de crescimento. Até este momento a cidade não tinha traços de cidade industrial. Não possuía núcleos de pobreza extrema, formados de assalariados das fábricas nem de ex-escravos. Os trabalhadores do algodão, apesar de pobres, tinham moradia, alimentação e vestuário nas fazendas onde trabalhavam, mesmo que as condições estivessem longe do conforto.  
Com a ampliação da Magnesita, em 1960 e com a chegada de outras indústrias de mineração e suas empreiteiras é que ocorreu o grande crescimento da mancha urbana da cidade. Houve um grande aumento da população, com a chegada de pessoas de toda região em busca de uma oportunidade de emprego. Neste momento o núcleo se expande e surge a periferia, abrigando a pobreza à margem direita do Rio do Antônio, que ganha corpo nas décadas de 1980 e 1990, transformando Brumado em uma cidade industrial típica.
A cidade de Brumado tem um formato mais ou menos linear e teve o seu crescimento paralelo a ferrovia.
Existem, ainda, em Brumado propriedades de uso rural, apesar de estarem inseridas no perímetro urbano. Estas propriedades estão localizadas na parte Nordeste, Sudeste e Sul da cidade. Na sua quase totalidade as áreas propostas inicialmente para a expansão urbana são de uso rural.
Para uma melhor compreensão da evolução urbana de Brumado deve-se analisar a evolução da mancha urbana figura 04 juntamente com a planta atual da cidade. figura 05.
Essa evolução espacial de Brumado se confirma quando se analisa os dados do IBGE, referente ao crescimento populacional, densidade demográfica e taxa de urbanização, no período de 1940 a 2000, conforme tabela 01.
Tabela 01 - Crescimento populacional de Brumado – 1940/2000
Ano
População residente
Taxa de urban. %
D. Dem. (hab/km²)

Urbana
Rural
Total

Urbana
Rural
1940
2.733
23.542
26.275
10,4
10,08
89,6
1950
4.288
32.343
36.631
11,7
14,05
88,3
1960
3.465
22.212
25.677
13,5
9,85
86,5
1970
16.434
22.548
38.892
42,9
14,5
57,1
1980
25.728
21.029
46.757
55,02
17,9
44,98
1991
36.013
21.163
57.176
62,99
21,89
37,01
2000
40.710
20.960
61.670
66,08
28,45
33,92
Fonte: IBGE- Organização- Francisco Carlos Barbosa Leite
Conforme a tabela 01, o município possuía em 1940, uma população absoluta de 26.275 hab., com uma taxa de urbanização de 10,4%, aumentando gradativamente alcançando 11,7% em 1950, já mostrando nesse índice o impacto que a instalação da ferrovia trouxe para Brumado, já que muitos trabalhadores passam a residirem na cidade, onde foi instalado o DC 5 –  DISTRITO DE CONSTRUÇÃO DO DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADA DE FERRO. Esse departamento comandava a construção e a manutenção das linhas, de Contendas a Monte Azuis em Minas Gerais. No entanto em 1960 a população absoluta de Brumado sofreu um decréscimo em conseqüência dos desmembramentos dos distritos de Malhada de Pedra e Aracatu, que conseguiram sua emancipação política. Porém, a sua taxa de urbanização cresceu de 11,7% em 1950, para 13,5% na década seguinte.
 Nesse período a população é predominantemente agrícola, visto que o índice da densidade demográfica rural de 1940 era de 89,6% de hab/km², em 1950, de 88,3% e em 1960 de 86,5%. Em 1970, o índice de densidade demográfica rural teve uma queda brusca em relação aos anos anteriores, chegando à de 57,10%. Este fato deve-se, tanto ao contexto industrial brasileiro, – que teve início a partir da década de 1930 com Vargas, até a implantação do Plano de Metas promovido pelo governo de Kubitschek na década de 1960, que intensificou a industrialização no Sudeste do país, favorecendo o crescente êxodo rural às metrópoles – mas apesar do processo de industrialização no Brasil ter sido concentrado na região Sudeste, esse fenômeno também chega em outras regiões do país.
A industrialização em Brumado inicia-se em 1939 com a chegada e/ou instalação da empresa Magnesita S/A e das suas empreiteiras, da Ferrovia Leste Brasileira e posteriormente das demais empresas mineradoras. Nesta década percebe-se ainda o crescimento da população absoluta brumadense e a conseqüente taxa de urbanização que também se intensifica neste período, passando de 42,9% em 1970 para o índice de 55,02% em 1980, é nesse período que surge os bairros mais populosos da cidade, até alcançar no ano de 2000 segundo os dados apresentados na tabela 01 com o índice de 66,08%.
O aumento da população absoluta, bem como, o aumento da taxa de urbanização acelerada, reflete nos índices de densidade demográfica urbana, pois  em 1940 o índice era de pouco mais de 10% e no ano de 2000, o mesmo apresenta 28,45%. Segundo dados do IBGE (2000), o município de Brumado possui 61.670 habitantes, sendo 40.710 na sede e 20.960 na zona rural, com uma densidade demográfica urbana de 28,45 hab/km². E a estimativa de 07/04/ 2002 foi de 62.616 habitantes.